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O Sargento Roger Dias, de 29 anos, foi baleado na cabeça por um criminoso que deixou a prisão no mês passado beneficiado pela saidinha de Natal.
O Sargento Roger Dias, de 29 anos, foi baleado na cabeça por um criminoso que deixou a prisão no mês passado beneficiado pela saidinha de Natal.| Foto: Divulgação/Polícia Militar

Após a confirmação da morte do sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PM-MG), Roger Dias da Cunha, de 29 anos, policiais e autoridades foram às redes sociais lamentar o caso.

Roger Dias foi baleado na cabeça por um criminoso que deixou a prisão no mês passado beneficiado pela saidinha de Natal.

O caso aconteceu na noite da sexta-feira (5), no bairro Novo Aarão Reis, região Norte de Belo Horizonte, em Minas Gerais. A morte encefálica do PM foi confirmada na noite do sábado (6).

Após ser baleado, o sargento foi socorrido por colegas e levado inicialmente para o Hospital Risoleta Tolentino Neves. Depois, foi transferido para o Hospital João XXIII, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

O sargento foi internado com duas balas alojadas na cabeça, passou por duas cirurgias e recebeu cerca de nove bolsas de sangue.

Segundo a PM, o quadro de saúde do policial era considerado irreversível. Roger Dias da Cunha foi morto horas antes de completar 10 anos de corporação. O policial deixa esposa e um bebê recém-nascido.

Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais (PM-MG), o autor dos disparos tem uma longa ficha criminal com 18 passagens pela polícia. O segundo criminoso envolvido na ocorrência também estava de saída temporária e tem 15 registros policiais, sendo dois deles por homicídio.

O crime

Na noite da sexta-feira (5), o Sargento Roger Dias da Cunha e sua equipe iniciaram uma perseguição a um carro roubado pela Avenida Risoleta Neves, quando os criminosos atropelaram um motociclista. Os dois criminosos estavam armados. Após o atropelamento, os criminosos desembarcaram do veículo roubado e correram.

O Sargento Roger Dias alcançou um dos criminosos e deu ordem de parada várias vezes, mas foi respondido com vários disparos na direção da sua cabeça.

Parte da equipe continuou a perseguição e um dos criminosos foi baleado e encaminhado para atendimento médico. O outro foi preso horas depois com a ajuda de cães farejadores.

Com os olhos marejados e a voz embargada, a porta-voz da PM-MG, major Layla Brunnela, lamentou o assassinato do colega e disse que o caso é revoltante.

“O autor que disparou contra o nosso policial militar possui 18 registros pela Polícia Militar, é oriundo do Sistema Penal e estava de saidinha de Natal. Deveria ter retornado no dia 23 de dezembro ao Sistema Prisional e não retornou. Não há como passar por tudo isso e não se revoltar com o sistema e achar essa situação normal”, disse a major na noite do sábado (6).

Ao comentar sobre a fala da policial pelas redes sociais, o especialista em investimentos e analista político, Leandro Ruschel, disse que “as lágrimas nos olhos” da major Layla Brunnela “são as lágrimas nos olhos dos brasileiros honestos, reféns de um país dominado por bandidos”.

Reações

Ao comentar sobre o caso, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse que o policial perdeu a vida por conta de “leis ultrapassadas”.

“Bandidos com histórico de violência são autorizados para ‘saidinha’, que resulta em insegurança para todos brasileiros. Passou da hora disso acabar. A mudança tá parada no Congresso. Até quando? [...] Perdemos o Sargento Dias. Meus sentimentos aos familiares, amigos e irmãos de farda. Mesmo com todos os esforços dos médicos, o pai de família não voltou para casa, mas o criminoso que devia estar atrás das grades, por força da lei, estava nas ruas e causou essa perda irreparável”, escreveu o governador na rede social X.

Ao lamentar a morte do policial, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) cobrou um posicionamento do ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, sobre o caso.

“Para registro: O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, não prestou solidariedade, não emitiu nenhuma nota ou assistência para os familiares do Sargento Roger Dias, morto hoje em BH por um bandido que não voltou da saidinha de Natal. Governo de canalhas”, escreveu o parlamentar na rede social X.

Até o momento não houve manifestação oficial do ministro ou da pasta sobre o ocorrido.

Na manhã desta segunda-feira (8), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse que a lei sobre “saidinhas” poderá ser alterada.

“Embora o papel precípuo da segurança pública seja do Poder Executivo e, o de se fazer justiça do Poder Judiciário, o Congresso Nacional atuará para promover as mudanças necessárias na Lei Penal e na Lei de Execução Penal, inclusive reformulando e até suprimindo direitos que, a pretexto de ressocializar ou proteger, estão servindo como meio para a prática de mais e mais crimes [...] Ou reagimos fortemente à criminalidade e à violência, ou o país será derrotado por elas”, disse Pacheco.

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, também se manifestou sobre a morte do policial.

“Chegamos ao limite. A saída temporária já apresentou diversas provas de que é maléfica para a sociedade, mas dessa vez um policial militar morreu nas mãos de um criminoso que deveria estar atrás das grades, mas estava solto por conta desse benefício que alguns ainda defendem”, disse o secretário pela rede social X.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também pediu o fim das saidinhas e criticou a cobertura de parte da imprensa sobre o caso.

“A idolatria ao bandido (bandidolatria) está enraizada em redações de jornais. Se uma pessoa assassina alguém ele não pode ser tratado simplesmente como ‘homem’, ele é no mínimo um criminoso. Esta confusão na linguagem abre espaço para idolatrar a pessoa moralmente errada nesta história, o bandido, e também demonizar o policial que cumpria seu trabalho”, disse o deputado pela rede social X.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lamentou a morte do policial e pressionou pelo fim das “saidinhas”.

“Recebi com muita indignação e tristeza a notícia do falecimento do Sargento Dias, baleado na cabeça por um vagabundo que estava em saída temporária da prisão. Isso tem que acabar! Sou relator de projeto que trata sobre o tema no Senado e me comprometo em fazer essa proposta sair do papel! Chega!”, escreveu o senador nas redes sociais.

Para o deputado federal Rodrigo Valadares (União-SE), as imagens do crime “são revoltantes”.

“A impunidade impera no Brasil. Precisamos trabalhar no próximo ano para aumentar as penas para crimes bárbaros como esse. Bandido na rua traz pânico para a sociedade.”, disse Valadares.

“Os assassinos são culpados, mas esse sangue também está nas mãos dos políticos que são a favor (das saidinhas). Que nesse ano o Congresso reveja e coloque um basta nesses ‘passeios’, que só trazem o caos ao povo de bem”, afirmou o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS).

Esquerda silencia sobre morte de PM e associação de juízes culpa “desigualdade social”.

Apesar da repercussão da morte do Sargento Dias, figurões da esquerda têm optado pelo silêncio em suas redes sociais. Nomes do PT, PSOL, PCdoB e outros partidos da base do governo que costumam advogar por novas soluções para a Segurança Pública ainda não se manifestaram publicamente sobre o caso.

Por outro lado, no domingo (7), a Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis) publicou uma nota em que lamenta a tragédia, defende o chamado “Indulto de Natal” para criminosos e culpa as “desigualdades sociais” pelo assassinato do policial.

“É lamentável vincular a tragédia experimentada pelo corajoso Sargento Dias ao Juízo que concedeu benefício previsto na Lei. Afinal, o ocorrido reflete a sociedade em que atualmente vivemos, cada vez mais violenta, armada e intolerante, recheada de ataques inexplicáveis por trás das redes sociais, não enfrentando os verdadeiros motivos da violência urbana, fruto da desigualdade social, falta de oportunidades de trabalho lícito aos egressos do sistema prisional, além da falta de perspectiva de futuro para inúmeras pessoas”, diz um trecho da nota.

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