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Apesar de alegar que Beto Richa não tinha influência em venda de imóveis, Fernanda Richa o consultou antes de transações hoje investigadas. | Marcelo Andradebwin
Apesar de alegar que Beto Richa não tinha influência em venda de imóveis, Fernanda Richa o consultou antes de transações hoje investigadas.| Foto: Marcelo Andradebwin

Trocas de mensagens entre a ex-primeira-dama Fernanda Richa e o contador Dirceu Pupo Ferreira revelam que o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) teria “poder de mando” na Ocaporã Administradora de Bens, alvo de mais uma etapa da Operação Integração, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) nesta sexta-feira (25). 

Ao menos três aquisições imobiliárias feitas pela empresa (veja abaixo) estão na mira dos investigadores - a empresa teria sido usada para lavar propina recebida por Beto Richa do esquema de corrupção nas concessões de rodovias do Anel de Integração. Beto Richa e Dirceu Pupo Ferreira, que é quem administrava a empresa, foram presos.

Formalmente, a empresa está hoje no nome de Fernanda Richa e de dois filhos do casal, André e Rodrigo Richa. Fernanda alega que Beto Richa não tem nenhuma participação nos negócios. “A empresa não é, nem nunca foi, administrada formal ou informalmente por Carlos Alberto Richa”, registra ela, em nota encaminhada à imprensa.

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Mas o nome de Beto Richa aparece em mensagens trocadas entre Pupo e Fernanda, indicando que a “palavra final” nas negociações imobiliárias era do tucano.

No diálogo por e-mail no dia 3 de janeiro de 2011, em que Pupo questionava sobre a estratégia de venda de terrenos no condomínio Alphaville Graciosa, Fernanda diz que levaria o assunto a Beto. No dia 3 de fevereiro de 2011, Fernanda retorna a mensagem, dizendo que “o Beto acha que podemos esperar mais um pouco”. 

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Imóveis

O MPF suspeita que a Ocaporã Administradora de Bens tenha sido usada para lavagem por conta das “altas somas de dinheiro em espécie” utilizadas na compra de três imóveis. Os investigadores pontuam que a empresa não registrou nenhum saque em espécie entre 2011 e 2012 e que nenhum dos administradores dela tinha atividade profissional que gerasse recebimento de valores em espécie.

“Tais circunstâncias reforçam as suspeitas de que as altas somas de dinheiro em espécie tenham sido provenientes do dinheiro das concessionárias de pedágio pagos a Carlos Alberto Richa em contrapartida pelos aditivos assinados em benefício das concessionárias de pedágio ao longo dos seus mandatos como governador do Paraná”, aponta trecho da decisão do juiz federal Paulo Sergio Ribeiro, da 23ª Vara de Curitiba, que determinou a prisão de Beto Richa e Pupo.

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Outra investigação

Investigação derivada da Operação Rádio Patrulha já alcançou os negócios imobiliários da família Richa, mas ainda não houve denúncia. A Operação Rádio Patrulha foi deflagrada em setembro do ano passado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público do Estado do Paraná.

Beto Richa, Fernanda Richa e Dirceu Pupo Ferreira chegaram a ser presos pela Rádio Patrulha, mas a denúncia posterior do MP não incluiu a ex-primeira-dama, nem o contador. A denúncia se concentrou nos supostos crimes (fraude em licitação e pagamento de propina) cometidos no âmbito do programa Patrulha do Campo, do governo do Paraná, sobre conservação das estradas rurais.

Já a investigação sobre a possibilidade de lavagem do dinheiro da suposta propina do Patrulha do Campo ainda estaria em andamento. Na época, o Gaeco também suspeitava do uso das empresas da família Richa para lavar dinheiro. 

Em depoimento prestado por Fernanda Richa ao Gaeco, no ano passado, ela fala que Pupo tinha sua “confiança” e “autonomia” para fechar negócios imobiliários, e que, por isso, as perguntas relacionadas à suposta lavagem de dinheiro teriam que ser dirigidas a ele. Pupo alega ter agido sempre dentro da legalidade nos negócios da família do político tucano.

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Veja o que o MPF aponta em relação às negociações de três imóveis pela Ocaporã Administradora de Bens: 

20/10/2010 - O MPF cita um apartamento em Balneário Camboriú (SC), avaliado em R$ 700 mil, mas adquirido pelo valor declarado de R$ 300 mil, pago integralmente em espécie por Dirceu Pupo Ferreira ao vendedor, de forma parcelada, durante o ano de 2011. O vendedor reconheceu o recebimento de R$ 300 mil adicionais “por fora”, em espécie.

31/10/2012 - O MPF também aponta a compra de um terreno de luxo no bairro Santa Felicidade, em Curitiba, com um valor real de venda de R$ 1,9 milhão. Na escritura, contudo, a aquisição foi declarada por R$ 500 mil, correspondentes a uma suposta permuta com dois lotes em Alphaville Graciosa. O vendedor reconheceu que, além dos lotes dados como parte do pagamento, Pupo Ferreira entregou R$ 930.000,00 em espécie, que foram ocultados nos documentos da transação, segundo o MPF. Posteriormente, o mesmo imóvel foi vendido pela empresa da família Richa por R$ 3,2 milhões.

12/11/2013 - O MPF ainda registra a compra de conjuntos comerciais no Edifício Neo Business, em Curitiba, com valor declarado de R$ 1,8 milhão na escritura pública, mas que, segundo o corretor que intermediou o negócio, contou com o pagamento de R$ 1,4 milhão adicional “por fora”.

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