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Nos próximos dois anos, estrutura vai construir 4,5 mil apartamentos em Cascavel (PR).
Nos próximos dois anos, estrutura vai construir 4,5 mil apartamentos em Cascavel (PR).| Foto: Divulgação/Residencial Ecoparque

O Paraná foi o lugar escolhido por dois investidores para implantar uma tecnologia ainda pouca utilizada no Brasil: uma fábrica de prédios inteiros. Denominado Residencial Ecoparque, o empreendimento está em operação na cidade de Cascavel. Até 2030, a projeção dos investidores é disseminar a tecnologia em mais 21 unidades, em 11 estados brasileiros e no Distrito Federal. Pelo planejamento, a maior concentração é esperada para São Paulo (oito unidades). Também foram anunciadas duas para Minas Gerais. No Paraná, pretende-se chegar a três unidades.

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Em Cascavel (PR), cidade com 350 mil habitantes - a quinta mais populosa do estado - a unidade entrou em operação inicial em setembro de 2023 e tem inauguração oficial da estrutura marcada para o fim deste mês. Por lá, o objetivo é a construção de 4,5 mil apartamentos nos próximos dois anos em condomínios próprios.

A fábrica permite a construção de apartamentos inteiros em escala industrial. Considerada a maior fábrica de prédios das Américas, terá autonomia para construção de cerca de 2,4 mil apartamentos a cada seis meses. “Nosso foco é possibilitar moradia com dignidade e um preço justo. Dentro dos condomínios que construiremos teremos estrutura de cidade, com educação de ponta, qualificação profissional e preparo para a gestão”, afirma o empresário Francisco Simeão.

Fábrica automatizada de prédios mira em redução de déficit habitacional

A fábrica automatizada de prédios permite a construção de apartamentos em escala. “Muito mais que a construção de prédios, é um projeto educacional e de aumento de renda. Queremos que seja copiado pelos nossos concorrentes e assim possamos reduzir o déficit habitacional brasileiro, que é de cerca de 6 milhões de moradias. Nós não daremos conta de fazer isso tudo sozinhos”, completa Simeão.

Com método praticamente inédito no Brasil, a tecnologia vem sendo aprimorada e foi muito utilizada para a reconstrução de países da Europa no pós-Segunda Guerra Mundial.

“Na década de 1960, a tecnologia evoluiu com os computadores e, na década de 1990, com a internet, foi robotizada, ganhando escala e produtividade. Atualmente, funciona utilizando a mesma lógica da montagem de veículos pela indústria automotiva”, conta o empreendedor. Os apartamentos saem 100% prontos da fábrica, inclusive com partes hidráulica e elétrica embutidas às peças, sendo apenas necessário conectar na hora de instalar.

A estrutura em Cascavel está localizada em uma área de 180 mil m² (mais de 7 alqueires), com 30 mil metros de área coberta. O investimento é de R$ 200 milhões.

Até dezembro de 2024, a empresa vai operar com apenas 9,5% da capacidade. “Tempo necessário para o treinamento do time e refinamento da qualidade do produto. Até lá serão entregues três prédios, com o total de 360 apartamentos de dois quartos cada. Em 2025, a fábrica passará a operar com 50% da capacidade, para entregar 1.977 apartamentos. E, a partir de 2026, a pleno funcionamento, entregará 3.953 apartamentos por ano, com dois e com três quartos, com suítes”, explica a empresa. A área do condomínio está definida e incorporada ao plano diretor do município de Cascavel.

Empresa anuncia 22 fábricas de prédios no Brasil

Até o ano de 2030, a empresa pretende implantar 22 fábricas de prédios espalhadas pelo Brasil:

  • 3 no Paraná (Cascavel, Região Metropolitana de Londrina e Curitiba)
  • 8 em São Paulo
  • 2 em Minas Gerais
  • 1 em Santa Catarina
  • 1 no Rio Grande do Sul
  • 1 no Rio de Janeiro
  • 1 em Pernambuco
  • 1 no Ceará
  • 1 em Goiás
  • 1 no Distrito Federal
  • 1 no Mato Grosso
  • 1 na Bahia

“Cada fábrica terá autonomia de entrega numa distância de até 300 quilômetros. Nossas fábricas serão apenas para abastecer os nossos projetos habitacionais”, destaca Simeão.

Em Cascavel, a fábrica de prédios vai construir apartamentos para o Ecoparque Bairros Integrados. Segundo a empresa, serão apartamentos sustentáveis e de alto padrão a preços inferiores aos de mercado, inclusive para estruturas do programa Minha Casa, Minha Vida.

“Teremos creches, escolas de ensino infantil, de ensino fundamental I e II, de ensino médio, escola profissionalizante, unidades de saúde e postos policiais.Ttambém estão previstos centros comerciais e todas as atividades de uma pequena cidade para os moradores, proporcionando qualidade de vida, excelência na educação, qualificação profissional e aumento de renda das famílias. O projeto foi idealizado com vistas à educação, com escolas e creches em tempo integral que permitem o trabalho das mães e o aumento de renda da família”, reforça Simeão.

Os apartamentos poderão ser financiados pela Caixa Econômica Federal com o valor final prometido, segundo o idealizador, de cerca de 50% do valor no mercado. Os apartamentos serão vendidos mobiliados, prontos para morar em prédios de 15 andares, distantes 50 metros uns dos outros, ocupando 3% da área total, edificados em terrenos com mais de 50% de áreas verdes.

Como funciona a fábrica que produz apartamentos

A fábrica de pré-moldados de concreto produz placas de concreto pré-moldadas para edifícios habitacionais. A fábrica automatizada, robotizada, computadorizada e mecanizada foi importada da Europa. “Seu processo garante alto controle da inserção da matéria-prima e controle de qualidade do produto, praticamente não gerando resíduos, uma vez que boa parte das sobras do processo é reutilizada”, reforça.

A matéria-prima, areia e brita, fica depositada em pátio externo, devidamente impermeabilizado e controlado, aguardando análise do laboratório. Depois de analisado e liberado, é carregado com pá carregadeira até a central de concreto, onde uma máquina automatizada faz a dosagem, junto com a inserção de cimento, água e aditivos, conforme o projeto da placa (para paredes ou lajes).

Na etapa de limpeza de forma, embaixo do equipamento há uma bandeja metálica na qual caem os resíduos de concreto e a parcela que não é reutilizada no processo é transportada do local e depositada em caçambas de sólidos não contaminados, a serem recolhidos por empresa especializada e devidamente autorizada para essa parcela dar destinação, de forma ambientalmente correta.

Antes da concretagem é feita a inspeção das mesas. Em seguida um robô insere os perfis no processo de cofragem, a montagem de estruturas de suporte, limitando as dimensões da placa de concreto conforme o projeto. Na etapa seguinte, uma máquina de armaduras insere e solda o ferro. São então inseridas as infraestruturas elétrica e hidráulica. As sobras são igualmente depositadas em caçambas de sólidos não contaminados. O concreto é lançado na mesa e vibrado para adensamento, depois alisado e inserido na chamada câmera de cura.

Finalizada essa etapa, é feita a inspeção de qualidade para poder ser encaminhado ao pátio para estoque ou transportado para o canteiro de obras. A água utilizada no processo produtivo se mistura com a massa e, posteriormente, evapora na câmara de cura, não havendo nenhuma sobra. A água de manutenção periódica da lavagem da central de concreto passa por uma caixa separadora, onde o concreto acumula pelo processo de decantação e depois é colocado em caçambas de sólidos não contaminados. Esta água é reutilizada no próprio processo de lavagem. “É um projeto inovador para o Brasil e que estamos idealizando há anos. Vai ser uma revolução para o sistema habitacional”, aposta Simeão.

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