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Soldados israelenses durante incursão terrestre na Faixa de Gaza.
Soldados israelenses durante incursão terrestre na Faixa de Gaza.| Foto: EFE/Israeli Defense Forces

A campanha terrestre das Forças de Defesa de Israel(IDF, na sigla em inglês) no território da Faixa de Gaza, controlada pelos terroristasdoHamas, tem resultado na morte de vários jihadistas, inclusive de líderes do grupo islâmico, como Mohsen Abu Zina, desenvolvedor de armas do Hamas, e Ahmed Siam, que estava em uma escola na cidade de Gaza. Além disso, a infraestrutura dos terroristas também está sendo duramente atacada, e mais de 100 túneis usados pelo Hamas para movimentação de pessoal e armas já foram encontrados e destruídos – os militares israelenses não chegam a entrar nos túneis para explorá-los mais detalhadamente por temer que haja armadilhas montadas. No entanto, à medida que a invasão se prolonga, Israel também tem de lidar com as baixas de civis palestinos e as inevitáveis consequências na opinião pública mundial.

Os desdobramentos da invasão deixaram ainda mais evidente que faz parte da estratégia do Hamas o uso de instalações civis e do povo de Gaza como escudo humano. Um dos terroristas capturados por Israel afirmou que o grupo usa ambulâncias para transportar armas e terroristas. As IDF divulgaram imagens da entrada de um túnel do Hamas localizada sob a cama de uma criança em um bairro de alto padrão à beira-mar. Ainda segundo as tropas israelenses, durante a operação que matou Siam descobriu-se que o Hamas mantinha mais de mil palestinos em um hospital, impedindo que eles fugissem para o sul da Faixa de Gaza. No domingo, o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, condenou o Hamas pelo uso de “hospitais e civis como escudos humanos”.

Os desdobramentos da invasão israelense deixaram ainda mais evidente que faz parte da estratégia do Hamas o uso de instalações civis e do povo de Gaza como escudo humano

AOrganização Mundial da Saúde, braço da Organização das Nações Unidas, afirmou que os ataques a hospitais já beiram os 140 desde o início da retaliação israelense ao ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro. Israel afirma ter oferecido combustível a alguns hospitais, além de ajuda para a retirada de bebês, mas alegou também que os terroristas teriam recusado a oferta; além disso, os israelenses ainda disseram estar trabalhando para liberar rotas de fuga que os civis palestinos possam usar para deixar os hospitais. Infelizmente, todas as alternativas são verossímeis: como as vidas dos palestinos não valem nada para o Hamas, os terroristas não hesitariam em sacrificar seus doentes, privando-os de ajuda médica para ter um novo argumento midiático contra Israel; assim como também é possível que as mortes de civis tenham sido causadas por ataques israelenses em uma tentativa de eliminar lideranças ou infra-estrutura do Hamas. O certo é que não são apenas os terroristas que estão morrendo, e líderes que denunciaram o ataque terrorista e se solidarizaram com Israel em um primeiro momento estão mudando o discurso, como foi o caso do presidente francês, Emmanuel Macron.

Os ataques a hospitais foram o motivo alegado pelo Hamas para suspender as negociações que poderiam levar à libertação dos reféns capturados pelos terroristas em 7 de outubro. Isso impõe um dilema adicional a Israel. Para um país traumatizado pelo terror recente e por episódios anteriores de sequestros de soldados e civis, levar estes reféns de volta para casa sãos e salvos, seja resgatando-os em uma operação militar, seja negociando sua soltura, é um objetivo tão importante quanto asfixiar o Hamas. Evitar uma batalha dentro de um hospital onde ainda há pacientes impossibilitados de sair, ainda que Israel esteja totalmente convencido de que há alvos importantes ali, é uma forma de não queimar completamente os navios; mas, por outro lado, a manutenção de um cerco, sem que os hospitais recebam suprimentos, certamente cobrará um preço humano bastante elevado.

Israel tem todo o direito de se defender da ameaça terrorista do Hamas, e isso inclui tanto a tentativa de capturar ou eliminar os líderes jihadistas quanto o esforço para desmontar toda a infraestrutura que permite aos radicais islâmicos realizar seus ataques. Para os comandantes militares israelenses e o gabinete de Benjamin Netanyahu, uma vez tomada a decisão da invasão terrestre, não faria sentido realizar um trabalho pela metade e permitir que os extremistas se reagrupassem rapidamente e voltassem a agir não muito tempo depois que os soldados israelenses deixassem Gaza. Mas Israel também não pode ignorar que, quanto mais prolongada a invasão, maior será a catástrofe humana palestina – da qual, precisamos lembrar, também o Hamas é culpado – e mais difícil será manter a legitimidade do esforço de autodefesa israelense.

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